sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Clima de comoção em Pinheiro Machado

Créditos: Nael Rosa / A 1ª Folha

O mês de dezembro novamente volta ser um mês de tragédia para a família Rosa Rodrigues e Silva, de Pinheiro Machado. Há cerca de 30 anos, em 17 de dezembro de 1975, dois irmãos, Pedro Miguel e João Conceição, de 19 e 20 anos, morriam afogados no local denominado “Ilha”, às margens da BR 293. 

Vinte anos depois, em 1995, novamente em 22 de dezembro,  um simples banho para refrescar vitimava mais um jovem membro da família. Quando banhava-se nas proximidades da Olaria do Silvino, até então local muito utilizado no veraneio por banhistas, Cristiano Meireles Rosa, encontrava a morte após mergulhar nas águas do açude aos 15 anos. 

Quando Neida Rodrigues atendeu o telefone por volta das 16h do último dia 26, novamente a tragédia se repetia. O mais velho de seus três filhos, André Rodrigues Mendes, 31 anos, que tomava banho com outros três amigos, acabava de se afogar em um açude localizado no Corredor do Lixo, propriedade entre a BR 293 e RS 608. A partir daí, o desespero e a dor só fizeram aumentar diante das tentativas frustradas por parte de populares em encontrar o corpo do filho, que era um pedreiro de “mão cheia”, classificação popular dada para quem exerce o ofício com extrema competência, profissão ensinada pelo pai Volnei Mendes. 

Mas Joana, como carinhosamente era chamado, também ficou muito conhecido na comunidade por ser um divertido baladeiro e por atuações em competições de futsal, onde geralmente atuava como goleiro. 

A demora da chegada do Corpo de Bombeiros, foi também angustiante para familiares e amigos, que em solidariedade a mãe, que ao amanhecer do dia seguinte foi para a beira d'água dar continuidade a espera, permaneceram de prontidão. Somente as 11h30min da manhã, quando um homem, famoso pelo fôlego debaixo d’água e por realizar este tipo de resgate quando tragédias ocorrem, mergulhou algumas vezes conseguindo localizar o corpo do pedreiro.

"Meu filho se afogou no meio da tarde e só foi retirado na manhã do dia seguinte. Porque tanta demora dos Bombeiros?”,questionava a mãe em prantos. Durante o velório nas Capelas Municipais, uma multidão acompanhava parte da despedida. "Ele recém havia entrado na água e gritou: minha perna, minha perna”, contou um familiar, apontando para uma possível cãibra como causa da morte, já que Joana era um bom nadador. "Dois amigos tentaram o salvamento, mas por muito pouco, não acabaram morrendo também”, contou outro. 

Durante o sepultamento, mais sofrimento para os familiares. Em virtude do inchaço do corpo, a urna (caixão) utilizada pela funerária foi para pessoas obesas, mas no momento de colocar o caixão na sepultura pertencente à família, constatou-se que o mesmo ali não cabia. Novamente os amigos retornaram com o corpo para a entrada do Cemitério Municipal, onde existem sepulturas maiores e compatíveis.

Num gesto de solidariedade, muitos sacaram dinheiro da carteira e em pouco mais de um minuto, doaram a mãe de André cerca de R$ 700, suficiente para o pagamento da última morada. 
 
** Aritgo do Blog Eigatemaula. **

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